Projeto: Desenvolvimento do Setor Audiovisual do Estado do Rio de Janeiro
A força cultural do Estado do Rio de Janeiro é decorrente de sua tradição histórica como capital do país durante os duzentos anos que efetivamente constituíram seu período de formação. Mesmo antes da chegada da Família Real, em 1808, que propiciou sua transformação, de fato, na sede do Império Português, pela sua função anterior de entreposto ente o Sul, o Nordeste, Minas e o Centro Oeste, a cidade do Rio de Janeiro era a síntese do país, sua principal porta de entrada e saída de produtos, mercadorias e gentes. O Brasil se constituiu como nação tendo o Rio de Janeiro como principal referencia política, financeira e cultural. A transferência da capital para Brasília ou da Bolsa de Valores para São Paulo, e suas conseqüências, deixaram a cultura como o principal ativo do Rio de Janeiro e seu Estado.
O setor audiovisual, que abrange o cinema, o DVD, a televisão por assinatura, a internet, faz também interface e se insere naqueles mais amplos de radiodifusão (rádio e televisão aberta), telefonia celular, internet, indústria fonográfica, publicidade e jogos eletrônicos. Misturando cultura, informação, formação, entretenimento, se apresenta como uma das economias que mais cresce na atualidade da sociedade do conhecimento. Estima-se que entre salas de cinema, aparelhos de televisão, computadores e celulares, existam três bilhões de telas no planeta, cerca de metade sua população. Neste universo audiovisual fundem-se cultura, educação, economia, bem estar social e política. Trata-se de uma nova realidade, de uma nova dimensão do real.
O Rio de Janeiro e seu Estado, em que pese sua recuperação econômica devida à exploração de petróleo, à siderurgia, à indústria naval, de um lado e ao turismo, do outro, está pronto para desenvolver seu setor audiovisual, em sintonia com o momento de expansão mundial que ele vive. A criatividade, tanto na elaboração da produção audiovisual, quanto na evolução tecnológica que a renova e redimensiona, é hoje um ativo tanto cultural quanto econômico. O talento, seu recrutamento e mobilização, se apresentam como um vetor de progresso. O saber-viver de nosso estado, que lhe permite resistir a um nível de violência extremo, é disto uma demonstração viva. O audiovisual, combinado com a revolução digital, é um tipo de atividade cultural e econômica, leve, não poluente, dissolvida na universalização da cultura e do aumento de auto-estima que ela proporciona, está em seu momento. Cada vez mais a cultura pop que a juventude detem, produz, divulga e consome, toma a forma audiovisual. A internet a mundializa e a economia de serviços a instrumentalisa. A cultura, o mais nobre de todos os serviços, sua difusão e intercambio, se apresenta como fator concreto de mitigação dos conflitos e desequilíbrios que o estado do Rio de Janeiro e o país procuram.
A complexidade que esta situação expressa torna imprescindível e urgente a elaboração de um planejamento estratégico, de um plano de ações com seu dimensionamento econômico e financeiro que as priorizem, bem como de um programa de acompanhamento de sua execução. Este é o escopo proposto.
Grupo de Trabalho do Audiovisual
|